"Insight" no Yoga

22/02/2011 11:38

Carlos Eduardo G. Barbosa

 

Poucas coisas são mais gratificantes do que um belo “insight”. Aqueles momentos em que as idéias, que antes estavam confusas, num repente se encaixam perfeitamente, como num passe de mágica, e nos dão a felicidade da perfeita compreensão de seu sentido. É algo tão delicioso que queremos compartilhar com todo mundo.

Mas é justamente aí que surge o problema. O “insight” é uma experiência absolutamente pessoal e dificilmente surge de um modo que possa ser transferido ou compartilhado com outra pessoa. Esse é o seu charme e a sua maldição – ele é o resultado de uma atitude de busca ativa. Não pode ser recebido passivamente de alguém que desfrutou dele anteriormente.

Mesmo assim, ficamos ansiosos por compartilhar.

A condição do portador do “insight” é a mesma de uma criança diante do processo do aprendizado – e não apenas aquele da escola formal, mas também, e principalmente, o aprendizado que a vida oferece aos que não têm vergonha de admitir que ainda não sabem. A criança diz – “não sei” e fica olhando para a gente com aqueles olhinhos que pedem para ser surpreendidos com um belo truque de mágica. Ela não quer adivinhar e dar uma resposta esperta – coisa de adulto – mas se diverte com não saber e ter a chance de uma nova descoberta. A vida é muito gratificante na infância, enquanto ainda não temos o desejo de parecer melhores que os outros e entrar na competição que transforma nossos antigos amigos em adversários que devemos temer. Para que eu ia querer ser melhor que os outros, e não ter mais alguém com quem dividir a minha curiosidade e talvez compartilhar o “insight”?

Só temos “insights” quando estamos humildes e reconhecemos que alguém mais pode nos oferecer a pecinha que falta para concluir nosso quebra-cabeças. Quando ainda somos capazes de extrair alegria por juntar idéias ou por ler uma poesia. Porque a poesia, quando é poesia de verdade, é a mais incrível fonte de “insights”.

Os hindus chamam os seu maiores sábios – aqueles que trouxeram a revelação dos Vedas, de “poetas”. De poesia é feito o próprio Universo, onde os deuses são apenas mantras – e por isso mesmo são tão poderosos…

Se você quer encontrar a felicidade digna de um grande yogui, o primeiro passo é olhar para sua própria ignorância como uma oportunidade de aprendizado. E olhar para o aprendizado como uma oportunidade de encontrar a alegria do “insight”. E olhar para o “insight” como um retorno à inocência da infância, como se você houvesse bebido do néctar da imortalidade.

Aquele que já sentiu o prazer de um único “insight” sempre estará atento para não perder o próximo. Mãos à obra, portanto. Pergunte alguma coisa para alguém, com um desejo verdadeiro de elucidar alguma dúvida. Ou, se preferir, abra um livro de poesias. Faça uma meditação ou cante um mantra – e fique atento ao que se passa dentro de seu coração.

E vamos deixar, mais uma vez, cair a ficha…

Carlos Eduardo Gonçalves Barbosa é professor de Sânscrito e Cultura da Índia e editor do site Yoga Fórum.


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